segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A primeira Waldorf

Quando comecei a fazer bonecas, não estavam diretamente vinculadas às crianças.

Eram bonecas decorativas, relacionadas ao universo esotérico.

A Fada-madrinha era uma boneca que estimulava nossa visualização criativa. A Yogue, trabalhava as virtudes, de acordo com a tradição do Brahma Kumaris. A Tecelã, trazia a crença de que acontece o que a gente tece. O cupido despertava a lembrança do amor universal.

Nenhuma das bonecas eram para brincar. Eu era uma tecelã que fazia bonecas para presentear adultos, na tentativa de fazê-los lembrar de seu lado espiritual, através da representação que a boneca trazia.

Foi quando fomos convidados para fundar uma escola rural em Nazaré Paulista.

O grupo de seis casais ligados ao Centro de Vivências de Nazaré se reuniu para planejar a escola em um sítio. Estudamos várias linhas pedagógicas e decidimos pela Pedagogia Waldorf.

Eu não conhecia nada do assunto, foi em 1992, mas seria a professora de artes da escola. Então comecei a estudar.

E descobri o universo do brinquedo Waldorf.



Comecei a pesquisar e tentei fazer a primeira boneca, ainda frágil, com pernas e pés com pouca tonicidade.

Foi quando conheci o trabalho de Karin Evelin, mas isso é um assunto para a próxima postagem.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A número um



As palavras-chave foram: "fadas tem pernas looongas", ditas de passagem por minha irmã.

Com essas palavras, a número um nasceu pronta.

Parecia que eu havia encontrado um fluxo energético. A coceira nas mãos de antes viraram inspiração e produção. Em poucos dias eu havia feito várias fadas, com retalhos de tecidos, brocados, tules.

Fiz uma inteiramente dourada, coloquei-as em uma caixa de presente e resolvi oferecer na Rua Oscar Freire, um ponto central do comércio sofisticado de São Paulo.

Na época, eu tinha uma moto, prendi com as aranhas a caixa de presente e saí em direção aos Jardins.

Na Oscar Freire, vi uma loja com uma fachada que me atraiu: uma casa de contos de fadas. Parei e resolvi pedir para falar com a dona e, por incrível que pareça, ela me atendeu.

Enquanto esperava, tomei conhecimento de um outro universo: o incrível mundo das representações do mundo espiritual.

Era moda na época: bruxas, fadas, gnomos, elementais de toda a espécie, cristais, runas, tarô.

Uma salada mista de imagens e significados do qual a ALÉM DA LENDA (esse era o nome da loja onde eu estava) era o centro.

A dona, uma jovem bonita e forte, me atendeu, escutou a minha estranha história sobre "coceira nas mãos", viu as fadas e, enquanto me ouvia, ficou com a fada dourada nas mãos.

Quando terminou de falar, perguntou quanto era, eu, sem saber, disse vinte dólares, uma pequena fortuna na época para o preço de uma boneca de 30 cm, algo como 150 reais hoje.

Ela falou: "Vou ficar com essa, te pago agora e quero mais 28".

Fiquei um pouco paralisada, muito paralisada. Agradeci e nem me atrevi a perguntar por que 28. Seria algum número especial? Estou sem saber até hoje.

Voltei para a casa, contei o que havia acontecido, minha irmã foi até a estante, pegou uma Revista Veja e me mostrou onde eu havia estado: na revista, uma matéria de três páginas informava sobre o boom da Além da Lenda.

Foi assim, em um movimento tipo sonho/sorte que o Nina Veiga Atelier começou.

sábado, 14 de novembro de 2009

A boneca zero



Eu era uma executiva da comunicação, havia trabalhado por muitos anos em emissoras de televisão, além de passagens por rádios, jornais e revistas e, naquele época, após Plano Collor, estava trabalhando como consultora para grandes empresas do Sul do País.


Foi quando fui para um spa diferente. 


Sem saber o que era, hospedei-me em Nazaré, um centro de vivências que, longe de ser um spa, era considerado um centro de luz, onde as pessoas iam para conectarem-se com a própria alma.


Saí de lá, uma semana depois, completamente mexida e a primeira coisa que senti foi uma coceira na mão.


Tinha vontade de resgatar a pessoa que eu era antes de entrar no turbilhão da mídia: uma moça que escrevia, fazia artes e atividades físicas.


A "coceira das mãos" me levou até um armarinho e comprei tudo que gostei, sem saber o que ia fazer.


Cheguei em casa com as coisas e minha irmã falou: "Por que não faz fadas?"


"Fadas?", perguntei.


"Sim, lá na livraria, todos me oferecem bruxas, mas eu gostaria que tivéssemos fadas", respondeu subindo as escadas em direção ao quarto.


Ela trabalhava em uma livraria esotérica famosa na época, a Kairós, na Avenida Paulista.


Foi então que, sentada no tapete, criei a número zero (foto).


Depois, minha irmã desceu as escadas, vinda do quarto e olhou para a número zero e falou: "Fadas tem de ter pernas looongas!"


Então coloquei mãos à obra e fiz a número um, mas isso é assunto para a próxima postagem.

sábado, 7 de novembro de 2009

Série histórica



Desde que começamos a publicar a Série Histórica na web uma sensação interessante se apresentou: a força da biografia.

A Biografia Humana é uma disciplina da Antroposofia que estuda a trajetória de cada pessoa, grupo ou instituição, buscando observar o "fio vermelho" da significância.

No site da Escola Waldorf Alecrim Dourado, podemos encontrar a seguinte citação:

A biografia é a história de vida construída por cada um de nós. Dentro da Antroposofia, o estudo de uma biografia é feito por meio de um trabalho biográfico – individual ou em grupo – em que são identificados elementos semelhantes na vida de todo ser humano em determinada fase e também são descobertos os elementos individuais ligados ao destino de cada um (EU). Para o estudo biográfico, a Antroposofia divide a vida em setênios – períodos de sete anos – observando o desenvolvimento de três aspectos interligados: físico (biológico), anímico (psíquico) e espiritual (EU). "

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fotos Históricas

Vamos começar a publicar uma série de fotos históricas dos bonecos em sua primeira versão.

A íntegra já está no Orkut e breve estará em nosso Flickr.

A boneca abaixo chama-se Yogue e era inspirada nas meninas do Brahma Kumaris, trazia as virtudes, conceito desenvolvido por essa filosofia que trabalha para a paz planetária.


A Organização Brahma Kumaris é uma organização não-governamental internacional com sede em Mt. Abu, Rajastão, Índia, com mais de 8.500 centros em 100 países, territórios e ilhas. Como uma comunidade de aprendizado, possui atualmente mais de 825 mil alunos regulares que procuram fortalecer a habilidade de vivenciar sua natureza mais elevada e melhorar sua contribuição para a sociedade por meio da educação espiritual e práticas reflexivas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A ação social

Acredito que a ação social deva incluir todas as nossas pequenas ações.

Como sabiamente nos lembram os nativos americanos: não importa diante do que você está (e isso pode incluir uma lagartixa ou um papel amassado), mas COMO você está diante dessa coisa.


Para mim, isso é uma chave para que  possamos adquirir uma postura de respeito interior diante do social.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Piquenique no jardim


Uma forma de motivar socialmente a família sem gastar quase nada é promover um piquenique.

Ele pode ser feito no jardim, na varanda do prédio, no playgroud ou no parque.

Não importa o local, o mais importante é reunir pessoas, sair da rotina e exercitar-se na ação social.

sábado, 10 de outubro de 2009

Dia de campo com a família




Um excelente lugar para que a criança vivencie com a família a educação ambiental é o Sítio Duas Cachoeiras em Amparo, São Paulo.

As alunas da Oficina de Fiação e Tecelagem com ênfase terapêutica estiveram lá com suas famílias.

Foi uma experiência muito rica.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Crianças entre folhas


O desenvolvimento social e moral da criança começa a se desenvolver juntamente com o sentido do tato. Ao ter a oportunidade de sentir a diversidade das superfícies, aprender a discernir entre as texturas, a criança aprimora a base de experiências que servirá de ancoramento para a constituição de um corpo moral fortalecido e, consequentemente, de uma vida social saudável.

Por isso devemos permitir que as crianças tenham vivências táteis enriquecidas, sem cair na "estimulação" artificial, ou seja, deixar que o tato se desenvolva naturalmente através de brincadeiras junto à natureza.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Produção e oração


Dentro de uma visão mais holística e espiritualizada do trabalho das oficinas de produção, aquelas onde as funcionárias trabalham diariamente para produzir nossos brinquedos, temos uma novena para Nossa Senhora D'Aparecida todo início de mês.

Vivemos em Minas, um estado onde a religiosidade cristã é predominante e a grande maioria das nossas parceiras e funcionárias são católicas, por isso a opção pela oração dessa tradição.

Nesses momentos de oração, reforçamos nossa união em torno de um ideal maior e pedimos força de trabalho e compreensão para o social.

Além disso, temos lembrado de várias alunas, amigas e clientes com dificuldades de saúde e pedido humildemente por elas.

Essa ação reforça a sensação de "fazer o bem" da equipe, ampliando nossa missão de colaborar para um mundo melhor construindo brinquedos saudáveis.

Pensando com carinho naqueles que, de alguma forma, chegam até nós, fazemos do nosso atelier um ponto de colaboração par o bem maior.

Se você quiser se juntar a nós, mande-nos um e-mail para informarmos nossos horários de prece e meditação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A tecelagem incomum


Um exercício de organização pessoal e social interessante pode ser feito através da tecelagem manual.

Na Oficina de Fiação e Tecelagem com Ênfase Terapêutica praticamos uma tecelagem incomum: ela valoriza o não saber fazer, o erro, o defeito, a exposição clara de nossas imperfeições.

Não há nada melhor para organizar socialmente uma comunidade do que expor, desde sempre e de forma artística a imperfeição de todos.

Aceitar-se e aceitar incondicionalmente o outro é gerar equilíbrio social.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A arte de fiar e confiar


A fiação pode ser um instrumento de organização do pensar, sentir e querer. Acima, aluna da Oficina de Fiação e Tecelagem com Ênfase Terapêutica na roda de fiar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ciclo de Manualidades Waldorf


Projeto para a Prefeitura de São Carlos.

Disponível para as demais administrações e escolas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Reciclagem de papel na universidade






O Nina Veiga Atelier promove curso de Extensão onde a reciclagem de papel é vivenciada por professores da Educação Infantil, Ensino Funcamental e Médio.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Oficina das Meninas


Conheci um lugar especial: Oficina das Meninas em Araraquara.

Vamos organizar uma parceria.

A foto é do pequeno bosque no jardim da instituição.

domingo, 26 de abril de 2009

Jornal Mural


Ei pessoal,

Mais uma iniciativa social do Nina Veiga Atelier:

Jornal Mural
As notícias da escola para todo mundo ler.

Em maio, nos murais da cidade e na net.

Até lá.

Nina

sábado, 11 de abril de 2009

Projeto Leonardo da Vinci





Para saber maiores detalhes e descobrir como você pode participar mande-nos um e-mail:

faleconosco@ninaveiga.com.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aliança pela Infância

Estamos desenvolvendo um projeto em parceria com a Aliança pela Infância.

A proposta será a de criar uma rede de representantes que divulguem nossos conceitos sobre a importância do brincar de bonecos tanto para meninas quanto para meninos como ação colaboradora da formação ética e humana do futuro adulto.

As atividades acontecerão nos diversos estados onde temos representantes, através de palestras associadas a brinquedotecas.

Assim, os representantes não apenas comercializarão produtos, mas contribuirão para a divulgação de conceitos.

Faça parte dessa rede do bem.

Mande seu currículo para nós e seja um representante conceitual.

faleconosco@ninaveiga.com.br

domingo, 16 de novembro de 2008

Bonecos waldorf meninos




O brincar com bonecas tem uma importância especial para os meninos.

Todo menino deve ter "o seu boneco", ele é um companheiro, um amigo muito próximo de seu coração. Acompanha-o em todos os seus caminhos, na cama, no brincar, no consolo de suas tristezas e nas suas alegrias.

O menino não estabelece este relacionamento com uma bola ou um carrinho. Além disso, quando o pai presenteia o filho com um boneco, colabora para a quebra de estereótipos que podem atrapalhar a criança em suas relações sociais e familiares quando adulto.

Ao brincar com seu de boneco, o menino amplia suas possibilidades de se tornar um ser humano mais completo e amoroso.

domingo, 2 de novembro de 2008

O boneco étnico


O papel da boneca étnica, negra e parda, é de grande importância para a valorização da auto-estima e do reconhecimento da identidade afro-brasileira das crianças, tanto na família e na sociedade quanto na escola.
A criança negra ou parda deve ter "a sua boneca" como seu espelho, onde se reflete sua anatomia e suas características étnicas.
Toda criança também deve ter bonecas de etnias diferentes da sua para aprender a amar e a conviver com as diferenças.
Através da identificação étnica com a boneca a criança pode fortalecer sua identidade, aprender a valorizar a si e aos seus semelhantes e reconhecer, para toda a vida, suas raízes, livre de preconceitos ou estereótipos.
Para os educadores, a boneca étnica também é um importante instrumento de ensino na sala de aula.
As várias etnias reunidas no brincar pedagógico têm o poder de promover a interação social, a tolerância e o respeito pelas diferenças.
Crianças que, brincando, aprendem desde cedo a conviver com a diversidade social tornam-se adultos melhores.

domingo, 26 de outubro de 2008

O despertar para o brincar

Uma das atuais tarefas do Nina Veiga Atelier em parceria com a Associação das Mães do Século é a divulgação do brincar.

Estamos em entendimento com a Aliança pela Infância para criar uma equipe, juntamente com nossos representantes, para a formação de brinquedotecas, a organização de palestras e workshops que possibilitem uma maior visibilidade dessa que é uma das mais importantes práticas da vida: o brincar.

Brincadeira dirigida com alegria





Brincar livre




quarta-feira, 10 de setembro de 2008

História do Atelier Social Nina Veiga

A iniciativa partiu das próprias crianças que, em março de 1996, ao passarem na frente do atelier-escola da artista plástica Nina Veiga, pediram para participar das atividades artísticas.

Aos poucos, cerca de trinta crianças do bairro do Século, em Três Pontas, Sul de Minas Gerais, formaram a primeira turma, algumas dessas crianças, hoje com 18 anos ou mais, trabalham no Nina Veiga Atelier como artesãs.

A partir de 1999, as mães começaram a participar, formando a associação mantenedora do projeto, a Associação das Mães do Século - Amaséculo.

Também em 1999, começou a participação de cerca de 29 crianças e 14 mães da comunidade rural da Fazenda Pedra Negra, fazendo atividades integradas com a Amaséculo.

Em 2000, foi a vez da comunidade rural da Fazenda São José, que incluiu, desde o início, além das atividades com as 24 crianças, palestras e atividades corporais e de arte manual com as cerca de 18 mães.

Em 2001, foi elaborado o projeto de oficinas, visando maior integração entre as comunidades, e sua auto-sustentação. As oficinas trabalham com fiação, tecelagem, roupas artesanais, bordado, cerâmica, papel artesanal, costura, técnicas mineiras de aproveitamento de retalhos e marcenaria.A produção de bonecos pedagógicos e decorativos, em parceria com o Nina Veiga Atelier, sustenta financeiramente as oficinas de capacitação, sendo o seu principal produto.

Em 2002, mais dois pequenos grupos de mulheres entraram em processo de capacitação, no bairro Santa Edwiges e Vila Marilena.

A partir de 2003, a falta de recursos e apoio paralisou parcialmente as atividades de arte e educação ambiental com crianças, limitando os encontros a quatro grandes trabalhos anuais.

A comunidade sentiu a necessidade de fortalecer a parceria com o Nina Veiga Atelier, formando uma cooperativa de mulheres artesãs para a melhoria da renda familiar e a tentativa de promover a manutenção das atividades lúdicas e sociais.

A área de atuação da Amaséculo foi ampliada, acrescentando ao estatuto as demais comunidades atuantes, fortalecendo o grupo de mães e abrindo novas perspectivas de apoio.

Já possuímos declaração de Utilidade Pública Municipal e estamos pleiteando a Estadual. Assim como, a doação do terreno e do projeto arquitetônico para a construção da sede.

Atualmente, as oficinas de capacitação acontecem semanalmente em parceria com a Associação Pescar.

O desafio agora é a sede e a oficialização da cooperativa de mulheres artesãs, que conta hoje com dezesseis trabalhadoras.

Ficha de apresentação em 2003

Nome legal da instituição
Associação das Mães do Século - Amaséculo

Endereço completo
Rua Quiquita Reis, 482 - Jardim Filadélfia, Três Pontas - MG
Sem sede própria

Contato
amaseculo@trespontas.com.br

Pessoa de contato e cargo
Nina Veiga - Coordenação Geral

Tipo de atividade
Atelier-escola de tecelagem e brinquedos pedagógicos com mulheres, adolescentes, idosos e pessoas com necessidades especiais. Atividades de arte e educação ambiental com crianças de 1 a 14 anos. Oficinas de capacitação profissional com jovens aprendizes de 14 a 18 anos.

Número de integrantes
161 pessoas (em março de 2003)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Oficinas de mães